Páginas

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Eu, caçador de mim...


“Somos, ao mesmo tempo, presa e predador de nós mesmos” (Lirian, Franca/SP)

Eu tenho uma paixão imensa por aprender. Eu não canso de aprender.
Existem duas formas de aprender: pela pesquisa, pela busca através da coisa concreta, escrita, experienciada, referenciada, absorvida através dos sentidos. E aprende-se da interação com o outro. E como se aprende!
A frase acima eu ouvi durante um treinamento dado na cidade de Franca. Foi a Lirian que verbalizou essa frase a partir de uma análise que ela fez da música “Caçador de Mim”, de Milton Nascimento.
Nem sonho em ter a pretensão de analisar a música aqui: ela é perfeita, basta-se e qualquer pessoa que a escute pode senti-la, absorvê-la, processá-la.
Quero ficar nessa frase aí mesmo. Que me tocou profundamente ao ouvi-la. Não resisti e pedi autorização à Lirian para escrever sobre ela. E ela me deu!
A busca de melhoria constante é uma inquietação que move algumas pessoas. Não que elas não estejam satisfeitas com o que são. Longe disso!
Trata-se de duas certezas que passo a definir como as concebo ao longo da minha experiência de vida:
1)    Não vir ao mundo ao passeio: algumas pessoas querem realizar algo, querem que suas vidas reflitam conquistas, tenham significado, alcance maiores dimensões, querem deixar um legado, querem ter do que se orgulhar.
2)    Saber que podem ser melhor do que são: poder mais, ir mais longe, desejar mais, ampliar horizontes, aperfeiçoar habilidades, ganhar competências. Movidas por um “incômodo” constante, buscam novas possibilidades desafiando suas próprias limitações.
Diante disso, me encontrei na frase que inspirou esse texto: ser presa e predador de si mesmo, numa busca constante de aperfeiçoamento. Nada de se comparar com outro, nada de competir com outro, nada de “medir” a atuação a partir de uma medida pré-estabelecida...
E sim, traçar uma linha reta tomando por base a si mesmo, a superação de si mesmo e o aperfeiçoamento de si mesmo a partir de um processo de auto desafio constante.
Essas pessoas não precisam de “tapinhas nas costas”, não precisam “aparecer na foto”, não precisam “gravar seu nome na história”, não precisam de agradecimentos ou recompensas. Seu parâmetro, sua medida, sua referência são elas mesmas. Elas estão constantemente “caçando a si mesmas” num loop infinito em busca de uma satisfação pessoal que permanece com elas após fechar a porta do quarto...
Sim! Você aí que pensou em satisfação, em alegria, em paz, em sorriso no canto dos lábios... É! Você mesmo... Você entendeu direitinho!
Você está no caminho certo!

Boa caça!!!