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terça-feira, 22 de março de 2011

Encarando a solidão


Um poeta da minha terra, Oswaldo Montenegro, diz que existem dois tipos de solidão: a que a gente precisa e a que a gente jura por Deus que não merecia.
Vamos falar sobre aquela solidão que a gente precisa.
Estado altamente repelido na barulhenta cultura ocidental, a solidão ganhou peso de abandono, não querer e desprestígio. Logo, estar só, no sentido amplo, virou sinônimo de não ser bem quisto e, por consequência, dá um tiro certeiro nas auto estimas já abaladas da maioria das pessoas bombardeadas pela cultura da imagem.
Escutei há tempos atrás que a melhor companhia que temos somos nós mesmos. Apenas quando aprendemos a conviver conosco (daí implica estarmos sós) poderemos ser felizes em outros (quaisquer outros) relacionamentos.
Isso ocorre porque o exercício de estar só nos permite o auto conhecimento necessário para estabelecer até onde podemos ir, o que é necessário para avançar mais e, definitivamente, descobrir o que não é adequado a nossa identidade.
Pode ser complicado no início...! Fomos criados com o paradigma do “um milhão de amigos”. Mas só é possível ganhar um milhão de bons amigos quando podemos ser amigos de nós mesmos. Segue um exercício mental para ajudar a começar a viver bem com a solidão
Pra começar, estando só, pergunte-se o que lhe incomoda na solidão. Como se sente estando sozinho? E ao descobrir quais são estes sentimentos, tente se lembrar onde eles apareceram pela primeira vez na sua vida (definitivamente você não nasceu com eles). Qual foi o fato que desencadeou estes sentimentos? Qual sua maior lembrança desagradável de estar só?
Quando localizar esse fato, analise-o. Quem estava lá? O que você ouviu? O que viu? E comece a repassar a situação como você gostaria que tivesse acontecido. Refaça, reconstrua a cena na sua cabeça ouvindo e vendo exatamente o que seria ideal, sentindo-se bem e confortável. Repita o exercício sempre que “aqueles” sentimentos que o incomodam em relação à solidão voltarem.
Próximo passo: descubra quais as coisas que lhe dão prazer em fazer sozinho: ler, escrever, cuidar de si, assistir TV ou filmes, dirigir seu carro, andar de bicicleta, malhar, qualquer coisa. Faça para você e por você.
Com o tempo, perceberá que pode adorar a companhia de outras pessoas mas, às vezes, precisa estar só...

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